Todos Juntos contra a Corrupção

Palestra de promotora de Justiça destaca pilares da integridade e adversidades que a impedem

Corrupção não é apenas sinônimo de escândalos políticos e esquemas de desvio de fundos, como também uma prática presente no dia a dia de muitos brasileiros. Promotora de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e Membro Auxiliar da Comissão Especial de Enfrentamento da Corrupção do Conselho Nacional do Ministério Público, Luciana Asper y Valdés foi a convidada pela Comissão de Ética da CVM (CE-CVM) para discutir o tema por meio da palestra Todos Juntos contra a Corrupção: inovações para um terreno fundado na Integridade. No evento realizado no Auditório da CVM-RJ, Luciana citou exemplos práticos sobre como a imoralidade está presente no cotidiano, os pilares da integridade e o diagnóstico dos gargalos que a impedem.

É essencial discutir esse tema tão importante, nesse momento histórico que estamos vivendo. O principal é que temos que dar o nosso melhor, onde estivermos. Se a gente não tem 100% de comprometimento, a gente não consegue combater à corrupção. Se eu colocar 99% de esforço, as dificuldades serão tão grandes que eu não vou me comprometer e, consequentemente, vou pelo caminho do menor esforço. A integridade, depois de uma caminhada de 500 anos, exige o nosso comprometimento de 100%, pois é assim que conduzimos nossos problemas até a solução”.

Íntegra

Presidente da CE-CVM, José Carlos Bezerra agradeceu a presença da convidada e de colegas de outras instituições no evento, que faz parte do plano de trabalho de 2019 e está em sintonia com o Íntegra, Programa de Integridade da CVM.

O objetivo é intensificar a incorporação do tema no dia a dia e na cultura dos servidores da Autarquia. Dessa maneira, o profissional saberá a que instância recorrer ou onde obter mais informações para se prevenir contra possíveis erros”.

José Alexandre Vasco, superintendente de proteção e orientação (SOI), destacou a contribuição da Autarquia no desenvolvimento de um programa de prevenção primária à corrupção e a continuidade de participação da Casa na Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (ENCCLA).

Eu tenho que ressaltar que apoio da CVM é fundamental determinante e que me faz acreditar que vamos alcançar nossos objetivos. Não conseguimos fazer absolutamente nada sozinhos” — Luciana Asper y Valdés, coordenadora da campanha #TodosJuntosContraaCorrupção da ENCCLA.

 

Mudança

Durante o evento, a promotora discorreu sobre sua carreira profissional e como chegou a acreditar que a corrupção no país não tinha solução.

Eu achava que a impunidade estava mais que estabelecida. É por isso que tento mostrar os impactos das nossas escolhas erradas, porque são essas experiências erradas que a gente precisa olhar. É necessário ser sincero e autocrítico. A corrupção é como uma doença que vem acabando com o nosso país há 500 anos. Agora nos resta dizer como nós, na vida profissional e pessoal, estamos sendo uma engrenagem para mudar esse quadro. Minhas decisões pioram essa doença?

 

Iniciativas

A palestra também destacou que educar e tratar as pessoas significa tratar a corrupção preventivamente, ao comprometer os cidadãos com a mudança de comportamento.

Quando vamos começar a relacionar o fato de uma pessoa comprar um celular na internet sem saber a procedência e os índices de violência? Se omitir também é uma escolha. Eu sempre me questiono quando na minha vida eu me omiti, em vez de agir, porque isso que causa o resultado que estou vivendo hoje ” — Luciana Asper y Valdés.

A promotora citou várias iniciativas que levam educação para crianças na primeira infância e universitários. Luciana é gestora do projeto Cidadão contra a Corrupção no MPDFT, Membro Auxiliar da Comissão Especial de Enfrentamento à Corrupção do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e coordenadora, no CNMP, da campanha #TodosJuntosContraaCorrupção da ENCCLA.


Sobre o Programa Nacional de Prevenção Primária à Corrupção, Luciana lembrou que o objetivo é reforçar que a corrupção não está no DNA do brasileiro:

Queremos fomentar, estrategicamente, ecossistemas de integridade em qualquer ambiente — escolar, acadêmico, organizacional ou comunitário — para, intencionalmente, formar o cidadão resistente à corrupção e ativo na participação e controle social”.

 Palestrante e evento

A palestra realizada no Auditório da CVM-RJ também pôde ser acompanhada por videoconferência pelos servidores de São Paulo e por transmissão ao vivo pelos profissionais de Brasília, em teletrabalho ou que estavam fora da Autarquia.
Luciana Asper y Valdés é graduada em Direito e Economia e pós-graduada em Direito Público e Direito Processual Civil.

 Texto elaborado por: Assessoria de Comunicação Social da Comissão de Valores Mobiliários
Crédito da foto: ASCOM/CVM